segunda-feira, 16 de junho de 2008

a melhor luz do dia

Antes de escrever uma carta, pensei em elaborar um poema, assim morrerias de desgosto e pesarias uma pedra suja em cima de minha paixão, sem mais dúvidas. Esmagado, sem poder te enxergar com minha estreita visão, admiraria-te, a imagem de tuas costas sem anjos terceiros testemunhando, a linha da larga cintura, o contorno sem desvios dos ombros ao pescoço, ainda aquelas revoluções em cor escura perdidas na penumbra que revela, longe de nossas vistas, a melhor luz do dia.

Mas, ao invés de desgosto, me jogasse aquele sorriso com os olhos miúdos, expremeria toda água que tivesse a nossa volta, gota a gota, e lançada acima de nossos narizes até se formar uma chuva firme para eu tomar teus seios revelados contra meu peito lavado. Batizaria nossa fé sempre que escorresse esse credo em nós enquanto leio esses teus maneirismos dengosos.

Acabei me dissimulando com essas palavras em prosa. E repensando as aspirações poéticas, vou dormir, agora e sempre, pra sonhar com músicas, músicas, músicas...até roubar tua surdez não desperta. Teimando em ceder teus ouvidos adormecidos, vou me deitar ao teu lado, dormir rapidamente pra acordar com as melhores melodias que velará teu sono, sempre.


Revisitando minhas vidas passadas, encontrei essa carta em meio a outros papéis na casa que fora d’um trovadorzinho sem muito sucesso no ofício. Porém um jovem muito simpático e graciosamente sincero. Nessa vida morri sem ter feito grandes canções. O fim se deu quando viajara para outra vila onde talvez pudessem apreciar sua música. Uma morte banal, pena. Creio que a cartinha nunca chegou ao destinatário.

Um comentário:

Briza disse...

tu tem um blog teu.
que riqueza!