terça-feira, 3 de junho de 2008

da dança doida...

por vezes chego a pensar que desaprendi a dança doida
ou, às vezes, acho que nem sabia que assim dançava
sabia. talvez sem admitir, verbalizar.
é que deixar por escrito fortalece ainda mais o dito.

queria poder ver o meu olho.
a gente consegue ver o próprio olhar?
às vezes, vejo o meu. no olho do outro.
no teu, por exemplo.
às vezes.

verdade mesmo...
é que a gente não rouba o outro.
o outro se dá. às vezes, nem sabe.
mas dá. e quer, sim.

é que comida, quando esquentada outra vez, não fica crocante.
gostosa, até. crocante, nunca.
agora, qualquer dança é doida.
dessas que a gente faz quando anda. dessas.

e vezporoutra o oco se aproxima.
e tenho medo de oco.
pronto, achei o meu medo.
e achei outro: falta de água.
água que fica na gente. de secura, sabes?!
de me distanciar tanto, ficar tão seca.
e desaprender a dança doida de vez.
de não ter mais jeito bonito, ou engraçado, de dizer as coisas.
de contar meu mundo. ou o teu.

é quando a gente volta pra casa de trabalho que cansa
fez aquele caminho tantas vezes antes
e se perde. e parece que quer se perder.

e tenho certezas. poucas.
e não penso na certeza do outro.
porque aprendi
amor é sentimento egoísta
e sinto
sou egoísta
mesmo sabendo que o outro pode enjoar um dia
mas, se eu ficar seca
pior.
então, amo.
e estou perto. e sempre estive.
hoje entendo.
que falta sinto sempre de ti. mesmo quando contigo.
é.

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